O estado de minh’alma, quem consegue adivinhar? Qualquer um que olhe para mim.
Os olhos são espelhos d’alma, apesar de existirem alguns tão bem dissimulados que só mesmo a prosa machadiana para descrevê-los.
Tenho que aprender a ser menos transparente, vulnerável, inteira. Ou em uma linguagem mais realista menos ingênua.
Insisto em acreditar no amor. E para ser amor pra valer, segundo meus desvarios, tem que chegar num rompante. Ser surpreendente, inesperado, avassalador.
Tem que me fazer perder os sentidos, o decoro e o bom senso. Tem que se apostar tudo, entregar tudo, amar tudo, sofrer tudo, sem nada esperar.
Nada de um amor-amigo que chega devagar, que cresce com o tempo, morno, lento, sério, com termo de compromisso e consentimento geral.
Para mim - amor-paixão, que incendeia, assusta, envolve, prende, enlaça, une corpos e almas como se estivessem fundidos pelas duras redes de Hefaístos deus grego do fogo, ferro e dos artífices, que, segundo a lenda, possui a faculdade de unir os amantes.
Contudo, como rege as leis da química, esse amor impetuoso e instantâneo tem a faculdade de se dissolver no ar, não é nem pode ser constante, penoso, prolongado.
Arde como chama e se desfaz com a espuma. Como há de se esperar deixa marcas e saudades e uma vontade louca de começar tudo outra vez.
Fico um tempo assim; lembrando, avaliando meu comportamento. Ora aprovando-o, ora censurando-o sem piedade.
Talvez, um dia, apareça alguém que consiga manter a chama sempre acesa. Sinta da mesma forma que eu a necessidade de manter o amor em alta freqüência ou simplesmente me ensine a amar de verdade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário