Normalmente associamos o amor a algo leve, a fontes, natureza verdejante, luz, claridade. Já o sexo se revela na nossa imaginação à meia luz, perfumes marcantes, pedaços de corpos que ora se revelam, ora se escondem, sussurros difusos, gritos abafados, gemidos sufocados por beijos e travesseiros.
O amor se revela ao ar livre, em plena luz do dia dizemos – eu te amo! A plenos pulmões. Contudo, jamais declaramos ao nosso objeto de desejo “quero fazer um sexo selvagem com você”, havendo testemunhas, mesmo que haja intimidade e confiança entre o grupo, preferimos dissimular nossas intenções.
O amor nos leva para o alto, nos sentimos capazes das mais loucas ações, leves planamos sobre bosques, a lua e as estrelas passam a estar ao alcance de nossas mãos, tornamo-nos poetas.
O único problema é que nunca sabemos em que momento perderemos suas asas que nos são apenas cedidas. Aí a queda é vertiginosa, são luzes e cores confusas, um nó no estomago, uma ânsia louca de tornar a voar. Lacrimejantes buscamos os montes mais altos e nos atiramos novamente, mas só conseguimos nos machucar ainda mais. O amor foi embora e para isso não tem remédio a não ser um novo amor.
Acredito que o sexo é mais honesto, mais prático e menos ilusório que o amor. Nele a satisfação é agora, já, não num futuro distante quando tudo estiver de acordo com suas mais tenras ilusões.
No sexo você dá e recebe na mesma medida o que ofereceu, tem carinho e toda atenção que requer o momento. No amor apenas nos doamos inteiramente na incerteza de que receberemos algo parecido algum dia.
O amor engana, é traiçoeiro, te abandona, aprisiona, escraviza, oferece suas asas para depois deixá-lo despencar das alturas.
O sexo não faz promessas que não pode cumprir, só oferece prazer e é só isso que pede em troca.
Contudo buscamos constantemente encontrar o amor, nos oferecemos a ele, aceitamos seus termos, nos agrilhoamos de livre vontade a essa doce ilusão. Queremos perder os sentidos, o controle. Muitas vezes usamos o sexo para chamar sua atenção, preparando armadilhas em que a vítima somos nós mesmos.
Às vezes ele vem e nos pega de surpresa em meio a uma aventura gostosa que deveria acabar ali, naquela noite.
Começa a metamorfose: as almas se desprendem dos corpos, flutuam, se encontram, se enlaçam, se enamoram. Somos agora feitos zubis seguindo às cegas aquela nova emoção. Alcançamos vales distantes, nos perdemos nesse emaranhado de sensações num vôo impetuoso rumo aos céus. Para depois humilhados e exaustos iniciar a penosa descida.

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