Sinto minh’alma atormentada pelas incertezas de um amor fugidio. Por vezes o alcanço, mas inevitavelmente me escapa por entre nos dedos. É areia, vento, bruma, fumaça. Como é arteiro! Brinca com meu coração aflito. Descansa no meu colo. Adormece feito criança. Farto, relaxado, entregue. Depois vai embora. Se despede num sorriso que sempre deixa a dúvida no ar. E eu espero.
Não durmo, vigio, espreito a escuridão das noites frias. Escuto todos os sons do anoitecer. Sonho acordada relembrando os momentos vividos. Passeio pelas estradas do passado recente de entrega e de prazer. Vislumbro o futuro feliz em suas asas.
Para suportar essa ausência e ignorar minha incapacidade de seduzir o amor é necessária uma falsa alegria. Fazer-se livre e independente quando na verdade queria estar presa aos seus grilhões. Alardear sua inutilidade e dizer que amar está ficando demodê.
Rir a bom riso dos apaixonados, apontar suas fraquezas, vícios e dependências. Quando tudo que você mais queria era está completamente inebriada com esse licor.
O corpo age, se movimenta, os pensamentos são coordenados, críticos e lúcidos. Mas o coração não se deixa enganar. Grita, exige, pede um novo amor nem que seja apenas por algumas horas, dias, meses. Não importa. Ele nunca se importa com o que vai acontecer apenas quer saciar essa fome, esse vazio deixado pelo amor antigo.

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